Fotografia: O quintal que habita em mim, por Marcia Silva1– 2021
Nos encontramos a mais de um ano em um cenário de pandemia, estado ainda sem previsão de acabar no Brasil. Com isso, faz mais de um ano que fomos forçados por esse vírus e não só – mas também por negligencia dos poderes governamentais – a mudarmos a nossa rotina, seja ela em passar mais tempo em casa, por desemprego, escolas e universidades em ensino remoto, home office ou por continuar se arriscando lá fora, nas ruas, nas empresas, mas de uma forma nunca esperada antes, tendo que utilizar máscaras, álcool em gel e evitar aglomeração, o que se torna muitas vezes uma tarefa impossível para o trabalhador que depende do transporte público e trabalha em locais fechados com muitas pessoas.
Dessa forma, fica evidente o quanto alguns espaços públicos passaram a ficar limitados a nós, o que para aqueles que puderam manter suas rotinas em casa, se tornou ainda menor, se restringindo aos seus quintais. Seria possível dizer que ao posso que um espaço se torna limitado, o olhar para ele se modifica? E ainda, como resgatar, modificar ou intensificar a troca com outros seres, como as plantas, já que esses espaços se tornaram um dos únicos “seguros” e a sociabilidade ficou reduzida?
Essas são questões que me perpassam dentro das minhas áreas de interesse de estudo, como sociedade e meio ambiente nos espaços públicos e privados da vida urbana. Através disso, busco aqui trazer essas reflexões em torno dos quintais, pensando na mudança de percepção com eles devido a pandemia e como isso ajudou também na relação entre os “seres verdes” que ali habitam. Me utilizei das redes sociais que costumo usar com maior frequência para levantar essas questões e poder conversar com pessoas que estivessem dispostas em me contar mais sobre elas e além de relatos, compus um ensaio fotográfico de autoria dessas pessoas sobre seus quintais e suas plantas.
∙ Mural de fotografias: plantas e quintais
∙ Emaranhado de relatos: a convivência no espaço limitado e os “seres verdes” que o habita
Agradecimentos:
Quero agradecer à Cristiane, Gleyce, Pedro e Vanessa por me ajudarem a construir esse emaranhado de imagens e relatos coletivos e entender melhor essa relação entre pandemia, quintal e plantas; a minha mãe, Terezinha, por me possibilitar crescer em um local cheio de plantas e a minha orientadora Andréa, que fez eu me encontrar no tema, meu muito obrigada!
1 Para mais fotografias minhas que trazem algumas reflexões instagram: @vishcliquei
Marcia Silva